
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Rádio: o tambor tribal de Mcluhan

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

RÁDIO NO CIBERESPAÇO: DO HIPERTEXTO AO EXTRATEXTUAL - Artigo Completo_Download pdf
O objetivo do presente artigo é verificar analiticamente as aplicações da linguagem radiofônica no ciberespaço, bem como as alterações/adaptações da mesma neste ambiente partilhado por cérebros e máquinas e está dividido em dois momentos. O primeiro visa categorizar comparativamente as intermodalidades das quais se valem o rádio no espaço reticular, a saber: hipertextos circunscritos, performances de gosto e ecossistemas sócio-técnicos. Em um segundo momento vamos interpretar a prospecção do rádio em um ambiente que, da transmissão sem fios de outrora, na contemporaneidade extrapola o hipertexto e o mero compartilhamento de arquivos para apostar na interface em seu lato sensu. Para tal tarefa, faremos uso do referencial teórico-metodológico que propõe o deslocamento dos meios às mediações, entronizando desta forma a linguagem radiofônica exposta no ciberespaço não como premissa de um aparato tecnológico, mas sim como constitutiva dos novos modos de relação do público com o veículo.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Self-voyeurism

Hímen transposto, a entropia reina absoluta. Entre o oxímoro que nega o dito e a doblez que acrescenta ardilosamente algo ao óbvio, tento caminhar. À margem da presunção, pretensão, vaidade, orgulho, pedantismo, provincianismo, ignorância, tirania, ciúme... ou marginalizado por estes traços tão recorrentes? Quiçá o tempo possa elucidar questão de ontologia tão profunda quanto passível de ser notada claramente por um observador mais atento. Busco emitir apenas os sons que guardo em mim, pois ao passo que as células se movimentam emitem vibrações/sons e delas(es) não se pode fugir. E cá estamos, contraditoriamente como sempre, vomitando idiossincrasias a um interlocutor sem cara, sem voz. Gostaria que você estivesse aqui.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Strange Fruit

Clementina de Jesus
Clementina era de Jesus mas também era da Silva. A cara preta do Brasil. Empregada doméstica, seu pai era violeiro e a mãe, de sangue e de santo, entoava pontos, ladainhas, jongos e partidos. Quelé, alcunha que recebera ainda na infância, transpirava cultura africana e a adolescência em Oswaldo Cruz foi marcada pela participação no bloco carnavalesco As Moreninhas e pelas apresentações nas rodas de samba da Portela, agremiação que teve que deixar de freqüentar anos mais tarde por conta de seu casamento com um tradicional mangueirense da época, Albino Pé Grande. Como se a razão, geográfica, machista, imperativa ou não, pudesse impedir um grande amor. Bobagem.
Só em 64, depois de uma vida limpando e ordenando os nobres lares da zona zul carioca, o poeta e compositor Hermínio Bello de Carvalho a convidou para fazer um concerto ao lado do violonista Turíbio Santos, numa aventura já incensada àquela altura, que objetivava reunir manifestações musicais populares e eruditas, uma performance crossover. Ela aceitou, mas o público refutou e o projeto minguou. Um ano depois se daria o lançamento definitivo de Quelé como cantora. Nascia uma sexagenária estrela. Tudo a seu tempo. E de cara, dividia palco com parceiros contumazes de Hermínio: Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Araci Côrtes.
O samba-homenagem composto por Medeiros intitulado Clementina, cadê você?, arremessa–nos ao abismo da dúvida. E para amesquinhar o sofrer, tomamos a liberdade de responder ao autor e a todos os que compartilham da mesma: Clementina deve estar em Dacar, no Senegal, cidade que abrigou sua grave voz no Festival de Arte Negra, realizado por lá em 66, um marco. Pois se D`África vem, Pr`África retorna. Seu lamento ainda ecoa, ressoa na semente do samba, benguelê de Angola, onde o boi não berra, sofre sem queixumes e aguarda a sua vez.
Abaixo, Hermínio declara toda a sua devoção a quem chamava de Pixinguinha de rendas e introduz um samba que compôs em parceria com o portelense Paulinho. Sei lá, mangueira.
sábado, 22 de agosto de 2009
Strange Fruit

Agenor não. Muito prazer, Angenor de Oliveira, seu criado. Satisfação. Sou nascido no bairro no Catete, mas antes de completar minha primeira década de poesia mudei-me para as Laranjeiras. Logo passei a freqüentar o morro, lugar de gente simples, trabalhadeira, de onde não mais me afastaria. Até tentei estudar, mas o cavaco e suas minguadas quatro cordas, além do trigueiro violão, só permitiram que eu terminasse o primeiro grau.
De mais a mais, quando tinha quinze anos minha santa mãezinha veio a falecer. Gota d’água para a boemia. Minha profissão? Tipógrafo, lavador de carros, pedreiro. Aliás, das obras dos homens veio este meu apelido. Cartola para proteger o cabelo penteado do cimento que suja e o endurece ainda mais. Mas o que gosto mesmo é de samba. Ao lado de meu mais constante parceiro – e os verdadeiros se contam nos dedos de uma mão – Carlos Cachaça, fundei o Bloco dos Arengueiros, que mais tarde, contando com a força da rapaziada dos outros blocos da comunidade, transformara-se na mais importante escola de samba do mundo – pois se é do Brasil é do mundo – Estação Primeira de Mangueira, minha paixão. E veja você, fiz questão de dar nome e cores, magia verde e rosa.
Já fiz muita coisa nessa minha vida, até de radialista já joguei. Advinha qual era o nome do meu programa? A voz do morro – homônimo do grupo que formamos anos depois, Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e eu – no qual só eram apresentados sambas inéditos, ainda sem título. Os nomes eram escolhidos pela audiência. Tudo idéia dela. Impossível passar por mim e não ver o meu amor. Eusébia Silva do Nascimento, a minha Zica. Daí o nome Zicartola. A humilde bodega que montamos serviu de palco para o namoro entre morro e asfalto depois que aquela moça, a Nara Leão, passou a freqüentar as cercanias. A malandragem agradece.
Mesmo com um sem-número de sambas compostos fui gravar meu primeiro disco solo eu já tinha 66. Tem nada não, foi até bom, o tempo é senhor. Hoje choro de alegria e não disfarço, pois minhas cordas de aço hão de fazer o sol brilhar mais uma vez. Corra o olha o céu.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Strange Fruit

Pixinguinha
Apresentações na Lapa de baixo com apenas 16 anos além de performances nas grandes emissoras radiofônicas da época eram comuns, mas nada como o cordão dos carnavais e as charangas das quais fazia parte, animando os foliões que gentilmente acotovelavam-se em tempos de folguedo popular de fato.
Chico Dunga, como também era chamado, teve a oportunidade de ser patrocinado por um milionário da época, Orlando Guinle. O bacana bancou turnê ao exterior dos Oito Batutas, grupo que Pixinga formara com Donga, China, Nelson Alves e outros figurões que perpetuariam a linguagem do samba-choro que hoje conhecemos. Apresentaram-se em importantes nações européias com direito a temporada de seis meses em Paris. Consagração e muito trabalho os esperavam no Brasil, pra onde voltariam e de onde nunca mais sairiam. Da infância humilde em Catumbi ao suntuoso teatro Dancing Schérazade em Paris, Pixinguinha, rebento de ventre livre, traçou sua trajetória com a singeleza do verso mais afamado do tema mais executado de nosso repertório popular, Carinhoso, que foi cantado em coro por duas mil vozes em seu sepultamento, a 17 de fevereiro de 1973: “Meu coração, não sei porquê, bate feliz, quando te vê...”